Escrevi bastante sobre o assunto há mais de sete anos, e grande parte dessa pesquisa foi incorporada ao meu livro sobre Martinho Lutero. Lá em 2003, demonstrei como muitos estudiosos luteranos e de outras correntes não católicas afirmavam que Lutero acreditava na Imaculada Conceição de Maria (em uma forma ligeiramente modificada). Quem tiver interesse nos detalhes (e são muitos!) pode consultar meu artigo, mas, para os meus propósitos atuais, aqui está um resumo do que descobri sobre o pensamento desses estudiosos:
Segue um resumo das opiniões de estudiosos sobre o que Lutero acreditava a respeito da Imaculada Conceição em seus últimos anos (após 1528). Não encontrei um único estudioso que trate deste assunto que negue que o jovem Lutero acreditasse na Imaculada Conceição de alguma forma. A única controvérsia reside eJm saber se ele posteriormente rejeitou suas crenças anteriores. Listarei os estudiosos do menos convencido ao mais convencido sobre o Lutero da fase final da vida: a ponto de se acreditar que sua visão era idêntica à do dogma católico proclamado ex cathedra em 1854.
1. Hartmann Grisar (católico): Lutero rejeitou a Imaculada Conceição por volta de 1528.
2. Horst-Dietrich Preuss (luterano): Lutero rejeitou a Imaculada Conceição por volta de 1528.
3. Thomas A. O’Meara (C): rejeição posterior “provável, mas não certa”.
4. Hilda Graef (C): provavelmente aceitou, mas de forma um tanto diluída.
5. Arthur Carl Piepkorn (E): aceitação “ao longo da vida” (exceto por dois lapsos).
6. Walter Tappolet (C): aceitou (sim).
7. Max Thurian (Reformado): sim.
8. William J. Cole (C): sim.
9. Eric W. Gritsch (E): sim.
10. Jaroslav Pelikan (E): sim.
11. Richard Marius (provavelmente protestante de alguma denominação): sim.
12. 10 estudiosos católicos no Comitê de Diálogo Luterano-Católico (C): sim.
13. 11 estudiosos luteranos no Comitê de Diálogo Luterano-Católico (L): sim.
14. Reintraud Schimmelpfennig (C): sim, no mesmo sentido que o dogma católico infalível proclamado em 1854.
15. K. Algermissen (L): sim, no mesmo sentido do dogma católico infalível proclamado em 1854.
16. Friedrich Heiler (L): sim, no mesmo sentido do dogma católico infalível proclamado em 1854.
Total:
Sim: 31 (16 luteranos, 13 católicos, 1 reformado, 1 provavelmente protestante [incerto])
Provavelmente: 1 (Católico)
Provavelmente não: 1 (Católico)
Não: 2 (1 católico; 1 luterano)
Isso resulta em uma taxa de 89% de estudiosos de diversas correntes religiosas que afirmam categoricamente que o Lutero tardio acreditava na Imaculada Conceição. Apenas um estudioso protestante se opõe firmemente a essa opinião, enquanto dois estudiosos católicos dizem que ele se opôs com certeza e se opôs provavelmente (algo que refuta a acusação de viés denominacional e interesses particulares). Os estudiosos luteranos, creio eu, podem ser considerados totalmente confiáveis com relação à interpretação do fundador de seu ramo do cristianismo. Os estudiosos católicos, portanto, apenas concordam com o consenso da academia luterana sobre esse ponto. Assim, encerro minha argumentação…
Hartmann Grisar é um dos poucos estudiosos que acreditam que Lutero deixou de acreditar na Imaculada Conceição de Maria depois de 1527 ou 1528, pelo menos entre os 35 estudiosos que encontrei que expressam alguma opinião sobre o assunto. Os únicos outros que encontrei que concordam com essa opinião são Horst-Dietrich Preuss (luterano) e Thomas A. O’Meara (católico).
Isso foi confirmado pelo eminente estudioso luterano Eric W. Gritsch, que estudou para seu doutorado com o famoso biógrafo de Lutero, Roland H. Bainton, e foi um dos principais tradutores das Obras de Lutero para o inglês (editadas por Jaroslav Pelikan), incluindo o extenso tratado Contra o Papado Romano: Uma Instituição do Diabo (vol. 41, 263-376) . Ele escreveu:
Lutero defendeu a virgindade perpétua de Maria e considerou sua Imaculada Conceição como “um pensamento piedoso e agradável” que, no entanto, não deveria ser imposto aos fiéis.
(em The One Mediator, the Saints, and Mary, Lutherans and Catholics in Dialogue VIII, editado por H. George Anderson, J. Francis Stafford, Joseph A. Burgess, Minneapolis: Augsburg Fortress Press, 1992; 241)
Na nota de rodapé 43 da página 382, ele explicou melhor:
‘Haec pia cogitatio et placet.’ Exposição do Nono Capítulo de Isaías, 1543/44. WA 40/3:680.31-32. Dois estudiosos duvidam que Lutero tenha afirmado a doutrina da Imaculada Conceição de Maria: Preuss (nota 11 acima) chegou à conclusão de que Lutero rejeitou a doutrina após 1528; O’Meara afirma que “é provável, mas não certo” que Lutero tenha rejeitado a doutrina (118 [nota 11 acima]). Mas Tappolet (32 [nota 1 acima]) demonstrou, com o uso de textos, que Lutero não mudou de ideia. As evidências literárias das obras de Lutero apoiam claramente a visão de que Lutero afirmou a doutrina, mas não considerou necessário impô-la.
Walter Tappolet é “o cara” no que diz respeito à documentação da Mariologia de Lutero. Gritsch escreve sobre ele na página 379:
Uma coleção exaustiva das declarações de Lutero sobre Maria foi oferecida por Walter Tappolet e Albert Ebneter (orgs.), Das Marienlob der Reformatoren (Tubingen: Katzmann, 1962), 17-218, 357-64. Dois estudos analisaram o desenvolvimento cronológico das visões de Lutero em conjunto com suas visões teológicas básicas: Hans Dufel, Luthers Stellung zur Marienverehrung (… 1968) e William J. Cole, “Was Luther a Devotee of Mary?” Marian Studies 21, (1970), 94-202).
Gritsch recomenda Tappolet e observa que a opinião deste sobre a defesa da Imaculada Conceição por Lutero era de que ele “ não mudou de ideia”. Ele também cita o artigo de Cole, que tenho em minha biblioteca há muitos anos, tendo-o copiado do seminário católico local. Cole chega à mesma conclusão que Tappolet:
É importante destacar que o próprio Lutero, com considerável coerência até sua morte em 1546, aceitou a Imaculada Conceição de Maria.
…A atitude final de Lutero pode provavelmente ser melhor descrita dizendo que ele próprio acreditava na verdade da Imaculada Conceição, mas não a encontrou ensinada formal e expressamente nas Escrituras.
(pp. 121, 123)
Essa é apenas a ponta do iceberg das muitas opiniões de estudiosos que detalhei há sete anos.
Adendo: pouco depois de compilar este artigo, convenci-me de que Lutero de fato mudou sua visão posterior para uma posição que descrevo como “purificação imaculada”. Resumidamente, o Lutero da fase posterior (algum tempo depois de 1527) acreditava que Maria foi purificada no momento do nascimento ou da concepção de Jesus, e não em sua própria concepção.
Resumo do texto: Muitos estudiosos luteranos acreditavam que Martinho Lutero aceitava alguma forma da doutrina da Imaculada Conceição de Maria.
Tradução do texto Luther & Mary’s Immaculate Conception: Lutheran Scholars’ Opinions




