Diferença entre Veneração dos Santos e Adoração do Deus único segundo Agostinho

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A distinção entre dois tipos de honra na Bíblia (veneração a pessoas como profetas ungidos, ou devoção a lugares, ou mesmo monumentos sacros históricos como o Templo, o Muro das Lamentações, objetos litúrgicos do culto, o Mezuzá, os Filactérios e rolos da Torá, a Arca da Aliança…etc.) é um ponto instigante na Ortodoxia Católica que deve ser considerado em termos mais abrangentes. Essa noção parte da perspectiva de que Deus santifica aquilo que serve aos seus propósitos. Porém deve ser dito: os católicos sempre entenderam essa questão como não restrita à Teologia. De fato, a Teologia introduz apenas um diferente tipo de Honra, uma inigualável às outras, expressa pelo Sacrifício. Trata-se da Honra Divina. Mas as demais honras sempre foram do conhecimento dos homens. Um exemplo claro dessa percepção como referente à lei natural é que esse ponto não é, como mencionado, uma excepcionalidade da Religião. Vemos tal ideia nas diversas culturas nas quais –quase universalmente — os reis seculares receberam de seus súditos honras, curvaturas e outras ações de veneração e respeito. Vejamos a honra prestada aos pais, que em algumas tradições permanece ainda hoje exteriorizada como por meio de curvaturas. Isso ocorre na Índia, por exemplo, no chamado Pranama ou Charan Sparsh. Também no Japão é comum as pessoas demonstrarem respeito através de atos de genuflexão, como ocorre entre noivos durante a cerimônia de casamento e eles se curvam um para o outro. Dificilmente alguém provaria que todos os inumeráveis casos sejam ações proibidas de divinização indevida. Nem reinos cristãos jamais condenaram aos Súditos a honra prestada aos reis por meio de semelhantes atos, nem a própria Bíblia, que testifica a prática deles e a aprova.

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DULIA E LATRIA (SANTO AGOSTINHO)

 

Santo Agostinho descreve a distinção que os cristãos fazem entre veneração dos santos [dulia] e Adoração a Deus [latria], esta por meio do Sacrifício (Missa), na sua defesa da Fé Ortodoxa contra o maniqueu Fausto. Veja abaixo:

 

É verdade que os cristãos prestam honra religiosa à memória dos mártires, tanto para nos estimular a imitá-los como para obtermos a participação em seus méritos e a ajuda de suas orações. Mas nós construímos altares não para qualquer mártir, mas para o Deus dos mártires, embora seja em memória aos mártires. Ninguém oficiando no altar no cemitério dos santos jamais declara: Nós trazemos uma oferta a você, ó Pedro! Ou a ti, ó Paulo! Ou a tu, ó Cipriano! A oferenda é feita a Deus, que deu a coroa do martírio, enquanto é realizada em memória dos que foram assim coroados. A emoção aumenta pelas associações do lugar, e o amor é estimulado tanto por aqueles que são nossos exemplos (os santos) quanto por Aquele por cuja ajuda podemos seguir tais exemplos. Consideramos os mártires com a mesma intimidade afetuosa que sentimos para com os homens santos de Deus nesta vida (na terra), quando tomamos ciência de que seus corações estão preparados para suportar o mesmo sofrimento pela verdade do evangelho. Há mais devoção em nosso sentimento para com os mártires, porque sabemos que seu conflito acabou; e podemos falar com maior confiança em louvor daqueles que já são vencedores no céu, do que daqueles que ainda estão na batalha aqui. O que é culto propriamente divino, aquilo que os gregos chamam de LATRIA, e para o qual não existe palavra em latim, tanto na doutrina quanto na prática, nós damos somente a Deus. A este culto pertence a oferta de sacrifícios; como vemos na palavra idolatria, que significa dar esta adoração a ídolos. Sendo assim, nunca oferecemos, ou exigimos que alguém ofereça, sacrifício a um mártir, ou a uma alma santa, ou a qualquer anjo. Qualquer pessoa que caia nesse erro é logo instruída pela doutrina, seja no sentido de correção ou para ter cautela […] Sacrificar aos mártires, mesmo em jejum, é pior do que retornar para casa embriagado da festa: digo sacrificar aos mártires, que é diferente de sacrificar a Deus em memória dos mártires, como fazemos constantemente, em conformidade com a maneira exigida desde a revelação do Novo Testamento…

 

Santo Agostinho, Contra Faustum, Livro XX, 397 d. C.

 

Imagem: Por Peter Paul Rubens [1636-1638], atualmente na Igreja de Santo Agostinho
em Praga, na República Checa. –
Domínio Público

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Sta Joana d’Arc nasceu através de um compromisso e do desejo de publicar obras notáveis de autores nacionais e estrangeiros, tanto de cunho filosófico e teológico, quanto de matéria infantil, fantástica e ficcional. Além de fazer renascer o espírito de tradições e valores antigos à sociedade como um todo, a publicação de obras que revelem a riqueza de nossa história é a melhor maneira de servir a humanidade.

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