Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio.
1 Timóteo 2:12 | ACF
Bíblia Online
Apesar das muitas referências à importância da mulher nas Escrituras, muito se tem falado acerca de posições bíblicas consideradas “misóginas”, isso no Novo Testamento. Como pode a mulher ficar calada na Igreja, se em Cristo não há ACEPÇÃO DE PESSOAS [c. Atos 10, 34; Tiago 2, 9 e Romanos 2, 11]? Todos esses textos citam claramente a condenação bíblica à tentativa de estabelecer preconceito e distinção entre os fiéis de modo injusto e discriminatório. Por que, então, S. Paulo repetidas vezes afirma que a mulher não deve exercer autoridade sobre o homem? Será que ela não é tão capaz quanto ele? A Bíblia afirma ser ela realmente “inferior”? Em pleno séc. XXI, como pode ela ser submissa?
Vamos pensar um pouco: Nós cremos em uma inteligência criadora e superior à nossa própria, e aceitamos como verdade a ideia de que há uma ordem no mundo que progride para garantir a glória de um Ser invisível, imensurável, infinito e todo-poderoso ao demonstrar a complexidade do Cosmos, da vida e das relações, por meio, inclusive, das peculiaridades e individualidades dos criados. Se é nisso que cremos, não devemos cogitar a possibilidade de um Deus que deseja e cria voluntariamente a distinção entre suas criaturas somente para desprezar alguma delas, enqunato cumula de prêmio outra, sobretudo quando discernimos este Ser como a perfeita manifestação de Benevolência, Misericórdia, Sabedoria e Justiça. Deve haver outra explicação para as recomendações envolvendo deveres diferentes para cada sexo.
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As Diferenças revelam a Ordem, a Harmonia e a Beleza da Criação
A Bíblia não nos dá passagens sem nexo. É por isso que continuamos a crer nela. Porque mesmo as aparentes contradições que alguns apontam são apenas aparentes, e dado o devido tempo, logo encontramos as inconsistências dos argumentos acusatórios. A Escritura permanece de pé, invicta diante dos ataques, há centenas de anos. Seus fundamentos e estrutura não foram abalados. Na verdade nem se mexeram. A maioria dos ataques, inclusive, já foi respondida por membros da própria Igreja, apologetas ou grandes doutores no passado. Basta procurar! Nós a vemos como um todo, uma unidade contundente, porque ela de fato o é. Mesmo consistindo em um calhamaço escrito em diferentes épocas e lugares, por diferentes pessoas tão distintas quanto possível, tanto em classe social como em outros aspectos: reis, profetas, poetas, pescadores, cobradores de impostos, políticos, etc., todos emprestaram sua pena ao Espírito Santo para compor este livro sagrado. As passagens utilizadas por pessoas que tentam afirmar que a Bíblia é machista são sem dúvida “duras” (sou mulher, e já analisei esses textos), mas não ilógicas segundo a ótica escriturística e seu fundamento transcendente: A Bíblia ressalta e potencializa nossas diferenças ao invés de suprimi-las; esse é um princípio divino decorrente do próprio direito do Criador. Como quando alguém cria uma empresa e, no momento da criação, define o modelo de negócio, a natureza jurídica (como MEI, EI, LTDA ou SLU), o regime tributário e registra o CNPJ. Assim, Deus em seu ato constitutivo ao nos criar, também estabeleceu para que fim cada aspecto de nossa vida serviria. Ele tem as prerrogativas de descrever para quais intuitos e finalidades nós fomos criados. Sendo assim, Ele decidiu, por sua própria conta, distinguir-nos pelo sexo e, tendo feito isso, tornar notável essa distinção de maneira vinculativa e a enobrecer através das leis da natureza.
Isso não se dá porque Deus deseja nossa divisão, ou mesmo um tipo de guerra dos sexos, mas porque Ele nos fez para complementarmos uns aos outros e suprir a falta que vemos no nosso próximo. O Criador Eterno, em Sua perfeita sabedoria e justiça, apresenta essas particularidades como um memorial da Sua Glória, e isso nos mostra que o que Ele fez é bom. Não é como frequentemente vemos as coisas diferentes: como um motivo para nos odiarmos. Muitas guerras foram travadas assim. Mas pelo contrário, as diferenças na Bíblia não são coisas terríveis, mas ocasiões de crescimento. As passagens ditas machistas, quase sempre ligadas ao ensino paulino, não são machistas em sua essência, pois não afirmam superioridade alguma de nenhuma das partes, apenas funções específicas e tarefas particulares:

O mesmo capítulo que destaca a submissão feminina, por exemplo, trata de colocar sobre os ombros dos homens a responsabilidade pelo bem-estar da esposa, mesmo que isto custe sua vida. “Assim como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela”, este é o argumento teológico dado aos homens, e, mesmo que sejam instruções difíceis de acatar (para ambas as partes), nós as aceitamos como a Palavra de Deus, Aquele que fez todas as coisas para o propósito perfeito do Seu Amor e segundo uma disposição lógica e ordenada. Ou seja, cada coisa no seu devido lugar. Débora foi uma mulher de fibra, assim como Hulda, e isso já exclui a falsa ideia de que mulheres são INFERIORES ou TOLAS. Nenhum homem, ao conversar com essas mulheres, seria capaz de dizer que elas não eram excepcionais. E mesmo muitas santas da Igreja, como Catarina de Alexandria, que debatia Teologia com os pagãos, ou Santa Teresa d’Ávila, cujos escritos impressionam ainda hoje eruditos, por sua riqueza e profundidade, dificilmente passaram despercebidas em sua sociedade, na época em que viveram.
Todas elas, apesar de suas habilidades, conheciam essas recomendações bíblicas muito bem e as acatavam. Curiosamente, no entanto, elas não sentiram que Deus as amava menos. Pelo contrário: era Ele a força oculta a movê-las em direção àquilo que elas alcançaram, de modo a fazer brilhar a inteligência e os dons recebidos até o limite de suas capacidades. Elas buscaram superar as fronteiras e potencializar seus talentos justamente pela fé que tinham no propósito de Deus para cada um deles. Elas desejavam dar o máximo de si por Amor, e de fato o fizeram! O comando de Deus não as sufucou, mas Sua Graça transbordou suas vidas e deu-lhes asas para voar mais alto do que qualquer mulher de sua época jamais sonharia. A Escritura sempre impulsionou as mulheres, e se temos palavras que parecem duras, devemos compreendê-las à luz de toda a mensagem deste livro, e soobretudo à luz de Cristo. De fato, a posição paulina sobre submissão é referente à sua função, e não ao seu valor e potencial. A Bíblia declara a IGUALDADE entre homens e mulheres. E o mais curioso é que foi pela boca do mesmo Apóstolo Paulo que fluiu esta Verdade: “não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gálatas 3:28). Essa igualdade, no entanto, não constitui uma igualdade de papéis.
Parece que a Ordem divina é descartável, mas não é!
Uma vez entendido que o Apóstolo Paulo não estava se contradizendo, ao declarar: “nem use de autoridade sobre o marido” e ao mesmo tempo “Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.(Gálatas 3:28), devemos agora partir para a compreensão de seus motivos. Isso para que possamos entender como se aplica esta ordem. Para deixar claro, ela permanece. O homem ainda é chamado a assumir uma posição de Autoridade na casa e na Igreja. A Palavra não muda. No passado, esse estado de coisas era mais claro e até mesmo obrigatório, pelas próprias condições de organização e em razão da busca pela sobrevivência, hoje nem tanto [pelo menos nos parece]. Funcionava assim: os homens tinham o dever de manter e defender suas casas e seus países, enquanto as mulheres deveriam proteger os filhos e as filhas, para que houvesse casas e países na próximas gerações para os homens protegerem. Esse sistema de educação baseava-se na maneira como a sociedade se dividia para realizar suas atribuições de maneira a garantir a superação das crises.
O homem deveria aprender a caça, a guerra e a política porque ele providenciaria os recursos para encher os depósitos, a proteção contra os inimigos hostis e seria responsável pela aplicação das leis da tribo ou cidade. A mulher deveria moldar e equipar a descendência através dos valores da comunidade e do respeito às leis por meio dos sentimentos comuns a uni-los, as tradições, as histórias, os mitos, de modo a serem fortes, civis e educados, porque sem isso a tribo se destruiria de dentro para fora, com disputas e barbárie. Sem os laços que a mulher proporcionava, a unidade se perdia. O homem combatia os monstros de fora dos muros; a mulher, os de dentro. Esse arranjo era indispensável para formar uma sociedade melhor no futuro. Se os homens falhassem, todos morreriam; se as mulheres falhassem, uma geração inteira fracassava, e também todos morreriam. Qualquer um pode ver a importância desse mecanismo! Lemuel retrata bem o ensino de sua mãe como orientadora em seu caminho (Provérbio 31: 1). Pela mulher virtuosa, descrita mais adiante no mesmo capítulo, vemos que sua decisão de abraçar firmemente seu papel não a tornou fraca ou burra, como muitas vezes é insinuado. Ela é trabalhadora e guerreira (v. 16 – 20). Isso faz a cidade louvá-la. Também revela que seu trabalho não é estritamente doméstico, porém ela nunca tem diante de si algo mais importante do que seu lar [uma vez que tenha formado um]: isso a torna ciente de sua prioridade essencial, de sua responsabiliadade principal, que é o governo de uma casa (v. 27) e a condução piedosa de seus filhos no Caminho Verdadeiro (v. 28). Sua sabedoria e louvor consiste em edificar a casa. Essas coisas parecem pequenas em nossa cultura, mas se observarmos ao nosso redor, os lares mais bem ordenados são justamente aqueles em que as mulherer abraçaram esse papel de maneira devotada. Isso revela que nossa espécie ainda depende de certas pequenas estruturas para sobreviver, mesmo que não estejamos mais na floresta.
Rembrandt [Domínio Público]
O Silêncio da Mulher
A Bíblia afirma que toda mulher tem o dever de estar apta para aconselhar suas irmãs mais novas dentro da Igreja de Cristo. E isso leva a outro ponto: o silêncio da mulher em 1 Coríntios 14, 29 – 33. É importante que entendamos algo: O apóstolo Paulo descreve o comportamento dos crentes em relação ao dom de profecia naquele contexto.

E em seguida, é inserida a recomendação do silêncio às mulheres na Igreja, retornando, em seguida ao tema principal (a profecia):

Nesse caso, ele claramente tratava daquele momento específico, no qual alguns fiéis haviam apresentado um comportamento exagerado e desordeiro. Ele orienta os membros a serem sóbrios e apresentarem posturas avaliativas no que diz respeito às profecias proferidas, sempre julgando-as à luz da Palavra de Deus e, além disso, sendo as próprias profecias estabelecidas em um ambiente de paz e ordem, não com bagunça, caos, fanatismo ou desorganização (“pois Deus não é Deus de confusão” v. 33). Logo, o silêncio feminino na Assembleia aqui descrito é, mais certamente, em relação àquele caso concreto de exame das profecias a que se referia S. Paulo, pois as mulheres cristãs, no afã de ajudar, provavelmente estivessem muito ansiosas para entender o significado delas e até mesmo tenham piorado a situação, profetizando com alarde e em voz alta, atrapalhando a assembleia, junto com os outros profetas a quem Paulo advertia. Prova disso é que ele cita mulheres orando ou profetizando na Igreja pouco antes de abordar esse assunto (1 Co 11, 5): “Mas toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta, desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse rapada”.
O Papa Bento XVI chega a falar sobre isso:
O Apóstolo admite como algo normal que na comunidade cristã a mulher possa “profetizar” (1 Cor 11, 5), isto é, pronunciar-se abertamente sob a influência do Espírito, contanto que isto seja para a edificação da comunidade e feito de modo digno. Portanto, a sucessiva, bem conhecida, exortação para que «”as mulheres estejam caladas nas assembleias” » (1 Cor 14, 34) deve ser antes relativizada. Deixemos aos exegetas o consequente problema, muito discutido, da relação entre a primeira frase – as mulheres podem profetizar nas Igrejas – e a outra frase – não podem falar; ou seja, a relação entre estas duas instruções aparentemente contraditórias. Não se pode discuti-lo aqui.
BENTO XVI, Audiência Geral, 14 de fevereiro de 2007
É importante, no entanto, notar também que o Apóstolo faz uso de uma ocasião de desordem [provavelmente causada, em maioria, por algumas mulheres profetisas dentro da Igreja] para declarar expressamente um limite ao público feminino, o que nos leva a entender que é prudente também considerar a fala de Paulo para além do contexto. Ao menos no que diz respeito a alguns aspectos. Em pronunciamento oficial, a Igreja já se posicionou quanto a isso de maneira mais aprofundada:
No entanto, a proibição do Apóstolo de as mulheres falarem nas assembleias (1 Cor 14,34-35; 1 Ti, 2,12) é de natureza diferente, e os exegetas definem seu significado desta forma: Paulo de forma alguma se opõe ao direito, que em outro lugar ele reconhece como possuído por mulheres, de profetizar na assembleia (1 Cor 11:5); a proibição diz respeito apenas à função de ensinar de forma oficial na assembleia cristã.
[…]
Depois, é necessário não esquecer que se deve a São Paulo um dos textos mais vigorosos do Novo Testamento acerca da igualdade fundamental do homem e da mulher, como filhos de Deus em Cristo (cf. Gál. 3, 28). Não há razão, portanto, para o acusar de preconceitos hostis em relação às mulheres, uma vez que podemos verificar a confiança que ele demonstra para com elas e a colaboração que ele lhes pede no seu apostolado.
O Papa apresenta como solução a esta aparente contradição o próprio contexto, que sugere que o Apóstolo não proibia as mulheres de falar na assembleia de maneira absoluta, porém apenas em determinadas circunstâncias. Bento XVI menciona o Apóstolo aconselhando especificamente os profetas, que provavelmente eram em sua maioria mulheres, que estavam profetizando e orando na Igreja com escândalo e desordem, o que dava mau testemunho. Então, ele cita as mulheres. Isso sugere que, se a Bíblia dá recomendações a profetisas e a intercessoras mulheres nas Igrejas, mas em seguida apresenta a proibição de falar na Igreja para mulheres, porém num contexto de recomendação e correção de profetas espalhafatosos, diz Bento XVI, então devemos concluir que essa proibição deve ser relativizada em razão dos variados elementos que a circundam. Além disso, foi o Apóstolo Paulo quem deu uma das maiores declarações de igualdade em Cristo entre macho e fêmea: “todos são um em Cristo [homens ou mulheres]” em outra passagem.
É verdade que ele aproveitou o ensejo para fazer uma pública reprimenda àquelas mulheres profetisas que estavam agindo de forma tola, algo que motivou a noção histórica de que há limite à atuação das mulheres na Igreja, e o documento Inter Insigniores aclara melhor essa questão, todavia, não se pode categricamente utilizar o trecho paulino para calar mulheres em toda e qualquer situação em que um homem se sente desconfortável com alguma de suas palavras, ou mesmo em todas as discussões teológicas, como temos visto na Internet e em muitos ambientes, nos quais homens machistas, pressionados com alguma fala feminina, tiram da manga os textos de 1 Coríntios ou de 1 Timóteo, e utilizam o apóstolo Paulo para amordaçar mulheres com quem discordam. Essa atitude revela uma postura infantil, de gente que não quer ser contrariada e que usa o sexo para coagir pessoas, pois, se o leitor for honesto e realizar uma criteriosa Exegese do texto paulino, verá que ele não fornece o direito de reivindicar um recolhimento feminino a cada momento em que alguém se sentir ameaçado pelo sexo feminino.
Por último, o documento citado, ao lidar com a noção de “sacerdócio feminino”, mesmo que o proíba categoricamente dentro da Igreja Católica, ele não fornece embasamento para o silenciamento feminino, como alguns desejam. Ao afirmar que a proibição diz respeito apenas à autoridade formal de fornecer o Ensino, isto é, de a mulher atuar na categoria de autoridade sacra no culto formal, fornecendo a homilia, algo que o sacerdote é encarregado de realizar, o Inter Insigniores não faz alusão a uma proibição de a mulher falar em todo e qualquer contexto religioso. Enquanto os homens, anciãos ou adultos, conhecedores das Escrituras e chamados por Deus para liderar a Igreja em ministério, julgavam cada palavra do profeta ou da profetisa, além de serem imbuídos da função de pastorear o povo no ofício sacerdotal, o texto diz apenas que eles devem contar com a cooperação das mulheres ao guardar silêncio. Se houver dúvida, pergunte ao marido. Em humildade e sujeição, todas são chamadas a esperar o julgamento dos presbíteros, como os demais fiéis, bem como sua instrução pastoral.
A Submissão Feminina
Na Bíblia, a submissão é uma atitude cristã [Cf. Efésios 5, 21], e não da mulher somente. A Palavra ensina que a mulher se submete ao marido como a Igreja a Cristo. Nessa relação, no entanto, a Igreja não é a única a submeter-se em resposta ao comando de Deus, mas o próprio Cristo é convocado a submeter-se ao Pai. Ora, Jesus não é inferior a Deus Pai por “se submeter a Ele”, afinal Ele é uma das Três Pessoas da Santíssima Trindade, mas Ele se submete por Amor. O Filho cumpre o dever que o Pai lhe deu ao submeter-se e O glorifica, sendo também exaltado pelo Pai, assim como o Espírito Santo, que testifica a Verdade à Igreja e opera dando glória tanto ao Filho quanto ao Pai. Desta maneira, tudo funciona em perfeita harmonia. É uma ideia (a submissão) conservadora e tradicional? Sim, com certeza. Mas não abrimos mão dela. Hoje, pela falsa ideia de independência e de individualismo excessivo que a cultura moderna no vende, temos a falsa sensação de que a segurança (como se tivéssimos realmente superado todos os problemas de nossos ancestrais e os dilemas da alma humana) nos tornou libertos dessas antigas relações que garantiam a sobrevicência da nossa tribo na selva. Nós achamos que não há necessidade de reforçar o poder de nossa complementariedade, que se ressalta por nossas diferenças. Estas parecem ideias conservadoras, pois nos dizem que o mundo é o mesmo. Mas não são tão conservadoras assim. Eu acredito mesmo que nós avançamos muitos degraus em nossos relacionamentos e na superação de certas estruturas de abuso e violência, sobretudo dando direitos às mulheres. Estas são coisas boas. Todavia, há algumas verdades que não são superadas, sobretudo quando elas tenham se provado tão úteis e indispensáveis reiteradamente ao longo da história da humanidade, como disse um sábio certa vez: “Somos como crianças dizendo aos anciãos da cidade que eles não passam de caducos tolos, mesmo que eles tenham construído as colunas de nossas ruas e feito forte nossos alicerces”.
A Bíblia exalta as diferenças entre os dois sexos como meios para glorificar a Deus, e eleva, apesar do individualismo exacerbado da Pós-Modernidade, a UNIDADE SANTA entre o homem e a mulher como ideal a ser alcançado e buscado.
Deus ama as Mulheres
Na Igreja, cada padre, bispo, moneg, leigo [homem ou mulher] deve ter coragem para testemunhar com ousadia Verdades duras e eternas. Evidentemente, maior responsabilidade recai sobre os religiosos, todavia, somos todos chamados. Ainda assim, essa vocação religiosa, e mais especificamente a sacerdotal, possui a incumbência de ser cabeça dessa sociedade que é a Igreja. Quando, no passado, São Paulo descreveu que esta tarefa pertencia a homens, ele falava de uma igreja ativa e missionária num mundo devastado pela violência e pela barbárie. O fato é que, mesmo com os avanços nos direitos, essa ideia de guerra contra o mundo violento e mau está longe de ser uma noção datada e com prazo de validade vencido. O mundo continua hostil, e a missão da Igreja não mudou. Como mencionado, isso também deve ser observado por mulheres, mas é importante entender essa perceção presente no texto bíblico. Quando S. Paulo escreveu, o mundo era um lugar onde a mulher deveria usar véu para não ser assediada ou sofrer abuso, e muito tempo depois de escrito, ela ainda precisaria caminhar pelas ruas com uma dama de companhia ou com um homem para garantir sua segurança. O mundo permaneceu assim por muito tempo, e mesmo hoje, com tanta liberdade e segurança, sabemos ele não mudou completamente. A Igreja nega o Sacerdócio Feminino porque Deus ama as mulheres. A pregação é sempre ligada à renúncia e ao perigo da jornada, seja para sair e erguer a bandeira dos direitos de Cristo perante Nero ou os judeus do Sinédrio, seja para fundar uma Igreja no meio de povos pagãos e hostis no deserto. Convencer o mundo descrente da Verdade era e continua sendo algo perigoso.
Deus não quer que isso seja feito sem a ajuda das mulheres. Seus dons são excepcionais e essenciais para a Vitória do Reino, e é evidente que algumas mulheres equiparam-se a homens no conhecimento teológico (veja o exemplo de Priscila, por exemplo): a mulher tem uma importância singular. Mas Deus deseja que os homens tomem a frente por uma questão de segurança e propósito.
Segurança porque, como mencionado, embora hoje a mulher conte com alguns privilégios, mais proteção e direitos, sobretudo em países onde os direitoos humanos são mais respeitados, a verdade é que algumas localidades do globo continuam sendo extremamente perigosas a elas. Casos de mulheres que sofrem com essa realidade são diariamente documentados em páginas de jornais nas colunas que tratam de desaparecimentos, estupros, morte e violência. Queira a mente moderna aceitar ou não, a mulher ainda é vulnerável. Isso torna muito mais incomum [embora exista forte atuação feminina e contemos com missionárias e pregadoras excepcionais no Corpo de Cristo] a atividade de uma mulher como cabeça da igreja, de modo a dirigir a fundação de uma comunidade de fé, conforme o comando do Senhor “até os confins da terra”.
Propósito porque Deus deu a elas outras prioridades. É bem verdade que contamos com o auxílio de mulheres na obra missionária e religiosas de toda sorte fazendo grandes proezas pelo Reino de Deus [O(a) solteiro (a) cuida das coisas do Senhor: 1 Coríntios 7,32]. Contudo, há ainda um chamado especial que as mulheres exercem de maneira única: a maternidade. Isso não as coloca como agentes de segunda classe na construção do Reino, tampouco torna as coisas mais fáceis para as mulheres, como alguns sugerem, pois ela trabalha em outra frente de batalha, que sofre igual perseguição à Verdade. Mas sim, essa tarefa requer dela devotada entrega para seu cumprimento. Assim, o valor de ambos, homem e mulher é o mesmo no Senhor. Paulo foi sensato em deixar tais recomendações, em vista da grande comissão que é dada à Igreja na sociedade hostil. Nós devemos estar unidos e firmes.
A Bíblia não dá suporte para pensarmos que estamos em uma guerra dos sexos, ou que um é inferior a outro [uma ideia anticristã e mesmo pecaminosa], mas ensina-nos que complementamos uns aos outros numa guerra contra a morte e o pecado. Somos unidade, como a Igreja e Cristo, e como Cristo e o Pai. Lamentamos de verdade que nem todos creiam que Deus nos faz felizes em nossas particularidades e diferenças [as quais O glorificam em beleza e ordem], e até distorçam o sentido das palavras do Apóstolo de maneira a usarem-nas para atacar as mulheres, mas este não foi o intuito principal desta norma. Respeitamos todos em seu direito de opinar, mas ainda veremos, quando as convicções seculares mudarem (e elas sempre mudam), o modelo bíblico permanecer como um farol e um guia perene para a vida de todo aquele que não se escandalizar em Jesus Cristo.
Deus abençoe você.
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