O que fazer em Tempos de Crise?

joanadarc

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Deus nos conduz como um Pastor, todavia, Ele não nos diz previamente por que caminhos nos conduzirá. Há lugares aonde vamos parar em razão de nossas próprias escolhas, nossa falta de sabedoria e pecado. Há também aqueles nos quais somos inseridos como consequência de erros de outras pessoas com as quais temos relação [todos estamos ligados e aquilo que um indivíduo faz em seu livre arbítrio, afeta outro, direta ou indiretamente]. Contudo, há lugares – também não muito amenos – nos quais vamos parar porque Deus nos colocou lá. Por alguma motivação providente que nos é oculta, mas bem conhecida dEle, sendo desvendada paulatinamente à nossa razão e sensibilidade espiritual, contanto que estejamos nEle, às vezes a Providência nos conduz por caminhos apertados e cheios de crises. Assim, como mencionado, estes nem sempre agradáveis lugares de vales e acidentes são paradas através das quais somos levados a caminhar em nosso percurso até o céu. Reconhecer um e outro é irrelevante aqui. O texto tratará daquilo que é de fato relevante: o que é preciso, em termos de fibra moral até certo ponto, para suportar o dia mau? Afinal, a Escritura nos orienta que é fundamental, “tendo feito tudo, permanecermos de pé” [Ef 6, 13].

 

“Tudo fez formoso em seu tempo.” [ Ec 3: 11]

 

Muitas vezes nós temos dificuldades de perceber esta verdade: Deus preparou algo belo para cada estação de nossas vidas… É difícil, como C. S. Lewis diz, enxergar quando os olhos estão marejados por lágrimas, mas nós podemos, quando olhamos pelos olhos da Fé. Quão gloriosa é esta fé, que nos faz ver o invisível. Ela é tesouro precioso, pois, fazê-lo, nos trará o prêmio da perseverança final. Se você está em uma situação em que pensa que as coisas não poderiam ser piores, numa tempestade e mar bravio, sem luz ou perpectiva de mudança, aguardando há muito por algo que ainda não veio, é provável que se sinta tentado a se desesperar. Algo semelhante ocorreu numa tempestade descrita no Novo Testamento:

“Nisto surgiu uma grande tormenta e lançava as ondas dentro da barca, de modo que ela já se enchia de água. (…) Jesus achava-se na popa, dormindo sobre um travesseiro. Eles acordaram-no e disseram-lhe: Mestre, não te importa que pereçamos?” [Mc 4, 36-37]. A tormenta veio no dia da Tribulação, mas Jesus estava lá, porém dormia. É normal julgar-se sozinho diante das ondas, sobretudo quando Deus parece dormir ou manter silêncio em nossas dificuldades e apertos. “Será que Ele se importa?”. Mas confie em mim: Ele está lá no barco com você e se importa. Todavia, é indispensável que você arme sua mente como não se entregar ao desespero, ao desânimo e à fúria, pois só vai piorar tudo. Preciso dizer que Deus te abençoa hoje mesmo, exatamente aí onde você está, mesmo no olho do furacão, e notar a bênção diária te fará mais feliz, além de te preparar para receber o escape na hora oportuna e bendita. Devemos compreender o que isso significa, porque se o fizermos, nunca estaremos descontentes, desesperançosos ou ansiosos. Cumprir-se-á aquilo que foi dito pelo Apóstolo: “[Deus] nos conforta em todas as nossas tribulações, para que, pela consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus, possamos consolar os que estão em qualquer angústia!” [II Cor. 1, 37]. Assim, nossa momentânea tribulação fornecerá fruto para aliviarmos aqueles que também sofrem, pois todos estamos juntos e jamais abandonados por Aquele que nos dá força quando padecemos na fraqueza.

Rembrandt – Cristo na Tempestade no Mar da Galileia [Domínio Público]

 

O Diabo quer roubar sua alegria e paz

 

A maneira como o diabo age em nossas vidas é silenciosa e sutil na maioria das vezes, tornando-se uma ação barulhenta e devastadora com o tempo, talvez até visível em alguns casos, todavia, é extremamente importante e útil saber que o diabo tem como grande alvo a nossa mente. É lá o centro de controle que ele almeja adentrar, subjugar e desestabilizar por meio de todos os seus projetos de destruição. Se o diabo consegue implantar uma ideia, pequena que seja, no interior de nosso coração, tudo que ele tem que fazer é regar a erva daninha, e ele é muito paciente ao fazê-lo. Muitas vezes, ele coloca ali um joio na mais tenra infância da alma, sobretudo quando a criança não possui apoio familiar ou bons referenciais para sustentá-la contra as vozes e más inclinações que recebe. É comum que noções destrutivas e malignas possuam seu início em traumas plantados há muito tempo [ficando latentes e retornando em ciclos toda vez que eclode alguma crise]. Trata-se de um joio que frequentemente apenas revela seus primeiros vis frutos na idade adulta daquela alma, sendo a maior parte do tempo contido. Ideias não começam do nada. Logo, o ladão deve ser estratégico em sua introdução no nosso meio: “veio para roubar, mata e destruir”]. Ainda assim, contudo, somos nós a abrir a porta. Ele não pode fazer sem nossa permissão. Quando não ouvimos a voz de Deus, a única capaz de desmantelar os argumentos do diabo, que sussurra em nossos ouvidos palavras de maldição e conceitos de incredulidade, dúvida, confusão e desespero, somos presas fáceis. Isso é particularmente eficaz em tempos de crise. As palavras começam com uma sugestão, a qual nós acatamos ou não. Deus nos fornece as armas para destruir seus argumentos logo no início, assim que são soprados em nosso coração pelo mal, mas precisamos ter firme diante de nós o Bom Pastor: as ovelhas são conhecidas por ouvir a voz dele, e não a voz do estranho [cf. João 10, 3-5]. Não devemos alimentar nossa mente com as palavras do diabo, mas com as Palavras de Deus: jamais devemos ouvir as sugestões que são trabalhadas, reforçadas, alimentadas pela força maligna: é preciso arrancá-las no começo, antes que deem frutos de decepção, automutilação [física, psíquica ou espiritual], desespero e por último morte. Muitos nem se dão conta de que aquele pensamento de inferioridade que surgiu na sua adolescência foi o diabo que soprou. Alguns efeitos da obra do diabo são: vitimismo, ressentimento, inveja, murmuração, desejos suicidas movidos, muitos dos quais são pelo desespero que transforma a situação em algo maior do que verdadeiramente é. Se o diabo conseguir cegar uma alma para o Bem que Deus lhe fornece diariamente em sua vida, a deseito das tempestades da vida, convencendo uma alma de que ela não vale nada e que nada jamais dará certo, será com certeza muito difícil tirá-la desta espiral de deceção e aflição. É preciso tomar a decisão de não deixar que o diabo roube sua alegria e sua paz daquele dia, pois são dons de Deus para você. Não dê lugar ao diabo. Não deixe que ele roube o prazer deste momento. Conserve um coração grato e esperançoso [não murmure]: as coisas vão melhorar…

 

Não andeis ansiosos por coisa alguma

 

Algo que aprisiona a mente e a priva de contemplar as coisas boas do presente e ter esperança nas do futuro é a angústia e o cuidado excessivo com a Vida. Entenda: Deus não quer que você se omita da responsabilidade pela sua Vida, mas Ele quer que sua preocupação seja ordenada e saudável. Este é um dos fatores que acrescentam peso na hora da crise, e que Jesus observou em seu povo, razão pela qual proferiu o seguinte trecho do Sermão da Montanha: acerca da solicitude pela vida (Mt 6, 25-34). O próprio Apóstolo Paulo declara, fazendo eco a Cristo: “Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, apresentem seus pedidos a Deus” (Filipenses 4,6). Esta é a chave: “Entregue os seus pedidos, suas dores e medos a Deus”. E tenha paz após isso, sabendo que Ele cuidará de tudo, pois prometeu.

 

FAÇA ESTA ORAÇÃO:

 

Deus, ajude-me a descobrir a beleza deste tempo. Consola a minha alma no meio desta angústia e tempestade. Ajude-me a ter esperança no Bem que cresce e trabalha silenciosamente e a Tua boa mão comigo nas pequenas graças diárias. Abençoe-me, a mim e minha casa, afasta o tempo de desolação e torna nova as nossas manhãs para que vivamos uma nova vida. Faz as obras de minhas mãos dar frutos e perdoe todos os meus pecados, pois Tu és toda a minha salvação. Em Ti espero e confio hoje e sempre. Em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

 

Foto de Malachi Cowie na Unsplash

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Sta Joana d’Arc nasceu através de um compromisso e do desejo de publicar obras notáveis de autores nacionais e estrangeiros, tanto de cunho filosófico e teológico, quanto de matéria infantil, fantástica e ficcional. Além de fazer renascer o espírito de tradições e valores antigos à sociedade como um todo, a publicação de obras que revelem a riqueza de nossa história é a melhor maneira de servir a humanidade.

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