Teodoro Beza (1519-1605) foi discípulo de João Calvino e o sucedeu como líder espiritual de Genebra. No Colóquio de Worms, em 1557, Beza propôs uma união de todos os cristãos protestantes, mas, naturalmente, isso não aconteceu, e jamais aconteceria. Deparei-me com a seguinte informação no primeiro volume da obra em dois volumes, que possuo em capa dura na minha biblioteca, intitulada “Tolerância e a Reforma” (Joseph Lecler, SJ, Nova Iorque: Association Press, 1960, da edição francesa de 1955; traduzida por T.L. Westow). Em setembro de 1554, Beza escreveu “De haereticus a civili Magistratu puniendis“ [ Traduzido como “Sobre a Punição dos Hereges pelo Magistrado Civil” ]. Seguem alguns excertos da edição francesa de 1560:
É uma vergonha para tal caridade contraditória, essa crueldade extrema, que, para salvar sabe-se lá quantos lobos, expõe todo o rebanho de Jesus Cristo [ao perigo]! Portanto, vede, vós, fiéis magistrados, de modo que sirvam bem a Deus, o qual pôs a espada em vossas mãos para vindicar a honra e a glória de sua majestade; pela salvação do rebanho, usai essa espada com justiça contra esses monstros disfarçados de homens.
(p. 131; citado em Lecler, vol. 1, 348)
Beza, assim como Calvino, estava bastante satisfeito em instigar as autoridades civis a disciplinar ou a matar aqueles a quem ele considerava hereges:
A tirania é um mal menor do que a licença que permite a cada um agir segundo a sua vontade, e é melhor ter um tirano, mesmo que ele seja cruel, do que não ter príncipe algum, ou ter um que permita a todos fazer o que bem entenderem. […] Aqueles que não querem que um magistrado interfira nos assuntos religiosos, e particularmente que puna os hereges, vão contra a palavra explícita de Deus […] e provocam a ruína e a destruição total da Igreja.
(p. 311-312; Lecler, 348)
Ele prosseguiu mais tarde na obra:
Se, além da blasfêmia e da impiedade, existe também a heresia, isto é, se um homem é possuído por um desprezo obstinado pela Palavra de Deus, pela disciplina eclesiástica e por um desvario insano de modo a contaminar até mesmo os outros, que crime maior e mais abominável se poderia encontrar entre os homens? Certamente, se alguém quisesse prescrever uma punição de acordo com a grandeza do crime, pareceria impossível encontrar uma tortura suficientemente grande para corresponder à enormidade de tal delito?
(p. 339; Lecler, 348)
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Theodore Beza, retrato anônimo aos 58 anos (1577) [domínio público / Wikimedia Commons]




