O Diabo segundo a Fé Cristã

Kertelen Ribeiro

Kertelen Ribeiro

 

Ai dos que habitam na terra e no mar; porque o diabo desceu a vós, e tem grande ira, sabendo que já tem pouco tempo. E, quando o dragão viu que fora lançado na terra, perseguiu a mulher que dera à luz o filho homem.

Apocalipse 12:12,13

 

OK, vamos falar de “você sabe quem”.

 

O primeiro ponto a ser enfatizado aqui é que a Igreja jamais concedeu ao fiel a permissão de entrega a pensamentos ociosos ou incentivou a curiosidade excessiva [que leva à superstição] com respeito ao diabo ou a atividades demoníacas como um todo. Hoje sabemos que a indústria cinematográfica lucra milhares de dólares explorando medos mórbidos dos homens com respeito a satanás, possessões, estórias de terror envolvendo água benta, exorcistas, casas, objetos e brinquedos amaldiçoados, etc, e Hollywood, de fato, conseguiu transformar o diabo em uma robusta fonte de renda, de modo que os filmes sobre ele enchem salas de cinemas no Brasil e no mundo. Há até uma série de tv chamada Lúcifer, que o retrata como um bonitão mal compreendido. Algumas igrejas evangélicas também exploram o tema. Não é conveniente para nós, católicos, debruçar-se muito nisso, pois a recomendação eclesiástica é tratar dele apenas naquilo que é estritamente necessário.

 

Cristo veio para desfazer as obras do diabo (1 Jo 3,8)

 

A única razão para o cristão falar do diabo é que ter algum conhecimento acerca dele é de utilidade para nossa vida. Isso ocorre porque, querendo ou não, o diabo ainda é uma força silenciosa e perigosa nesta existência terrena, mesmo que não percebamos. Então é muito importante que os cristãos estejam cientes da batalha espiritual em que são inseridos quando colocados neste mundo. A Igreja justifica o tratamento legítimo dele no documento oficial chamado Fé Cristã e Demonologia nestes termos: “seria um erro lamentável agir como se a história já tivesse se consumado e a Redenção tivesse alcançado todos os seus efeitos”. Ou seja, se um cristão negligenciar que o mal existe, isso pode colocá-lo em uma enrascada! O mal se faz sentir não somente nas relações pessoais, nas famílias, nas igrejas, na política e no trabalho, mas também dentro de nós. Nem todos sentem de forma direta as ações do mal e na mesma intensidade; e os estragos das obras do diabo em algumas vidas são maiores do que em outras.


Foto de Jeff Hendricks na Unsplash

Há almas mais vulneráveis, cujos lares gozam de pouca ou nenhuma proteção, sendo assolados por diversas obras malignas de variadas naturezas, e as vítimas mais atingidas são as crianças, a crescer machucadas por situações e ambientes tóxicos que têm o dedo de satanás por trás. Por outro lado, há almas que sentem menos as ações malignas, sobretudo em razão da disseminação do próprio Bem, isto é, dos dons da Graça de Deus, que também atuam no mundo, protegendo, reduzindo ou neutralizando essas forças malignas. Há pais / familiares que ajudam a proteger pessoas próximas, de modo que alguns intercessores garantem a estabilidade de uma casa inteira, assegurando a edificação de lares ordenados e defendidos por forças espirituais.

 

Foto de Tim Mossholder na Unsplash

 

O fato é que Deus deseja que os seus filhos permaneçam conscientes e acordados [Ef. 5,14], para que possam usar adequadamente os Auxílios que Ele mesmo nos fornece para triunfar nessa batalha, inclusive ajudando pessoas que precisam de socorro. A forma instrumental de todos estes auxílios é a Igreja: tanto as inumeráveis influências espirituais de Cristo, através dos anjos e dos santos, atuando neste mundo visível de maneira invisível, quanto os meios físicos, desde a pregação e o ensino da Palavra, a administração dos Sacramentos, as boas e altruístas [muitas vezes sacrificiais] obras dos fiéis, leigos ou religiosos, até os utilíssimos sacramentais, “tudo é vosso” [1 Co 3, 21-23], diz o Senhor! Todos esses bens fluem da Obra de Cristo na Cruz através da Igreja, seu instrumento de Salvação e seu Corpo Místico no mundo.

Agora, passemos a analisar o que a Igreja solenemente declarou sobre o diabo.

 

O Desafio da Modernidade

 

O documento Fé Cristã e Demonologia inicia sua razão de ser com a seguinte argumentação: “Esse desprezo [pela atuação do diabo] bem poderia ser o erro de hoje“. Essa frase demonstra que a mentalidade da Modernidade está avançando contra pilares antigos. De fato, tem causado uma preocupação real à Igreja, e aqui vemos a forma moderna de ver o mundo [esvaziando a Fé daquilo que é Sobrenatural] ser apresentada em documento solene da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé como o Erro do Século. É com essa mentalidade que a própria existência do diabo, reiterada tantas vezes por Jesus e os apóstolos, é posta à prova, além de ser uma problemática que o Magistério percebeu como parte da hermenêutica adotada em alguns segmentos de teólogos dentro da própria Igreja, de modo que se tornou indispensável tratar do tema no presente momento. Para algumas dessas correntes, influenciadas pela mentalidade moderna, continua, “os nomes de Satanás e do diabo são apenas personificações míticas ou funcionais, cujo significado é unicamente o de sublinhar, de forma dramática, o domínio que o mal e o pecado exercem sobre a humanidade”. De certa forma, isso leva ao escândalo dos verdadeiros crentes fiéis (aqueles que levam a religião à sério), e pode até mesmo causar uma ruptura com o ensino tradicional católico, que nunca questionou a existência do diabo em dois mil anos. Se, por um lado, os católicos podem se sentir perdidos e confusos, os quais,acostumados a levar a sério as advertências de Cristo e dos escritos apostólicos, sentem que esse tipo de ensinamento visa influenciar a opinião pública.”, por outro lado, isso pode ampliar ainda mais a crise institucional dentro da própria Igreja, já muito grave, sendo capaz, inclusive, de se manifestar num futuro cisma.

Mas afinal, o que o Documento diz? Leia abaixo:

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Eis aqui o resumo do posicionamento da Igreja

SOBRE O DIABO

 

Jesus ensina a Existência do Diabo por causa do Contexto Cultural?

 

1. A Igreja sustenta que Jesus declarou livre e conscientemente, segundo sua Divindade, a existência de anjos, demônios e do próprio diabo. Contra a crítica de que Ele apenas reproduzia o ensino dominante da época, a Igreja defende que Cristo era consciente dos dois ramos concorrentes: 1) fariseus, que criam em anjos e demônios (e na ressurreição); e 2) saduceus, que negavam essas coisas; e que, tendo confrontado ambos, ensinou clara e objetivamente que os fariseus estavam certos quanto a este tema, sem, no entanto, deixar de apontar as fragilidades dos dois segmentos. Ele não se comprometeu integralmente com nenhum deles e rejeitou os erros nas duas correntes. 

 

2.

 

A Tentação de Cristo
[Mosaico da Basílica de São Marco]
Domínio Público

 

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Kertelen Ribeiro

Kertelen Ribeiro é uma ex-protestante convertida ao catolicismo romano. Sendo leiga, faz parte da Legião de Maria. Ama ícones, arte e se arrisca no desenho, mas ainda não sabe fazer sombra direito. Graduada em Letras – Português e pós-graduada em Tradução do Inglês pela Estácio, atua como tradutora freelancer e deseja servir a Cristo, se esforçando para fazer a Sua vontade. Livros sempre foram o caminho.

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Kertelen Ribeiro é uma ex-protestante convertida ao catolicismo romano. Sendo leiga, faz parte da Legião de Maria. Ama ícones, arte e se arrisca no desenho, mas ainda não sabe fazer sombra direito. Graduada em Letras – Português e pós-graduada em Tradução do Inglês pela Estácio, atua como tradutora freelancer e deseja servir a Cristo, se esforçando para fazer a Sua vontade. Livros sempre foram o caminho.

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