Martin Bucer (1491-1551) foi um “reformador” protestante que passou a maior parte do seu tempo em Estrasburgo: uma cidade que se estende pela fronteira franco-alemã (atualmente na França). Documentei como Martinho Lutero (em 1522) também defendeu a pena de morte para adúlteros (“A espada e o governo temporais devem, portanto, continuar a condenar os adúlteros à morte”) e até mesmo para mulheres casadas que se abstivessem sexualmente de seus maridos (“o governo civil deve obrigar a esposa ou condená-la à morte”).
Eis que surge Martin Bucer, demonstrando aquela maravilhosa misericórdia, tolerância e aquele amor iluminado pela liberdade pessoal que esperamos encontrar nos “reformadores” protestantes, e ele declara:
Como Deus é mais sábio que os humanos, suas leis também são melhores que as leis humanas, e por isso Bucer argumenta pela reintrodução da pena capital em caso de adultério e da punição corporal em caso de fornicação. Nesse contexto, Bucer tem em mente a situação no antigo Israel; para ele, a relação então vigente entre templo e palácio, profeta, sacerdote e rei também deve ser considerada o ideal para os dias de hoje.
(H.J. Selderhuis, Marriage and Divorce in the Thought of Martin Bucer , Kirksville,
Missouri: Truman State University Press, 1999, p. 65)
O conceito dos dois reinos tem uma influência fundamental na exegese de Bucer. Após salientar que o adultério deve ser considerado um crime capital, ele se refere àqueles que pensam que, como Cristo não puniu a mulher adúltera, essa punição está abolida. Contudo, tais pessoas não compreendem as palavras de Cristo a Pilatos: “O meu reino não é deste mundo”. Cristo exortou a adúltera ao arrependimento e não proibiu a punição. “De modo algum, portanto, esta lei sobre a punição do adultério pode ser considerada neutralizada aqui. Cristo aquiesceu ao reino deste mundo, ao reino externo de Roma, ao sistema jurídico mosaico e a tudo o mais que foi constituído para a paz pública e a probidade.”
(Viggo Norskov Olsen, The New Testament Logia on Divorce ,
Tubingen: JCB Mohr [Paul Siebeck], 1971, pp. 77-78)

Antoine Caron (1521–1599) – Domínio Público
Agora veja a postura de Cristo:
Os escribas e os fariseus trouxeram uma mulher apanhada em adultério e, colocando-a no meio deles, disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério. Ora, na lei, Moisés nos ordenou que apedrejássemos tais mulheres. O que dizes tu a respeito dela?” Disseram isso para pô-lo à prova, a fim de terem alguma acusação contra ele. Jesus inclinou-se e escrevia com o dedo no chão. Como insistissem em interrogá-lo, ele se levantou e disse-lhes: “Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro a atirar uma pedra nela”. E, inclinando-se novamente, escrevia com o dedo no chão. Mas, ao ouvirem isso, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos, até que Jesus ficou sozinho com a mulher que estava diante dele. Jesus olhou para cima e disse-lhe: “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?” Ela disse: “Ninguém, Senhor”. E Jesus disse: “Nem eu te condeno; vai-te e não peques mais”.
João 8:3-11 (RSV)
Tradução de Kertelen Ribeiro
Texto Original: Protestant “Reformer” Martin Bucer: Death for Adulterers!




