Por que os cristãos observam a Grande Quaresma?

joanadarc

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A Quaresma é um período litúrgico de 40 dias instituído pela Igreja para jejum, penitência/arrependimento e caridade [Obs. Não significa que você não pode fazer essas coisas em outros momentos, só porque a Igreja tem um período específico à sua realização. Pense bem: se alguns fiéis falham em praticar essas coisas mesmo quando é uma ordenança, imagina sem nenhuma obrigação instituída oficialmente?]. É evidente, no entanto, que em nossa cultura, essas palavras têm um peso negativo [com exceção da caridade, que sempre será bem vista], porém são elementos bastante recorrentes e até recomendáveis no texto bíblico. É importante dizer que não se trata de uma temporada para sacrifícios destituída de sentido. Na verdade, a Quaresma é uma preparação para a festa da Páscoa e Ressurreição do Senhor. A Igreja orienta os fiéis a uma madura postura de contrição, reflexão e privação para fortalecer a caminhada de fé e criar uma abertura de coração a momento tão importante para o mundo. Essa preparação espiritual dispõe os fiéis a uma real experiência de união com Jesus a partir da comunhão e da identificação com seus sofrimentos [ou pelo menos parte deles, na figura da abstenção de alimentos]. “Todos os homens são chamados a esta união com Cristo” (CIC 542). Os 40 dias estão também ligados ao início do ministério de Jesus, quando o Senhor foi levado ao deserto em preparação à sua missão. Veja o que a Igreja diz sobre a importância de meditar na Paixão e comungar com Cristo em todos os seus atos de redenção. Isso é parte do Mistério da Igreja:

 

540. A tentação de Jesus manifesta a maneira própria de o Filho de Deus ser Messias, ao contrário da que Lhe propõe Satanás e que os homens desejam atribuir-Lhe. Foi por isso que Cristo venceu o Tentador, por nós: Nós não temos um sumo-sacerdote incapaz de se compadecer das nossas fraquezas; temos um, que possui a experiência de todas as provações, tal como nós, com excepção do pecado (Heb 4, 15). Todos os anos, pelos quarenta dias da Grande Quaresma, a Igreja une-se ao mistério de Jesus no deserto.

Catecismo da Igreja Católica

Ivan Kramskoy – Христос в пустыне [Domínio Público]

Em outra parte, o Catecismo aponta para o proveito de épocas determinadas a exercícios espirituais, decorrentes da autoridade da Igreja para instituir tempos apropriados à edificação cristã:

 

1438. Os tempos e os dias de penitência no decorrer do Ano Litúrgico (tempo da Quaresma, cada sexta-feira em memória da morte do Senhor) são momentos fortes da prática penitencial da Igreja. Estes tempos são particularmente apropriados para os exercícios espirituais, as liturgias penitenciais, as peregrinações em sinal de penitência, as privações voluntárias como o jejum e a esmola, a partilha fraterna (obras caritativas e missionárias).

Catecismo da Igreja Católica

 

Mas por que seria apropriado jejuar? Jesus respondeu que haveria momentos em que essa prática seria não somente adequada, mas recomendável e proveitosa: “Então os discípulos de João, dirigindo-se a ele, perguntaram: ‘Por que jejuamos nós e os fariseus, e os teus discípulos não?’ Jesus respondeu: Podem os amigos do esposo afligir-se enquanto o esposo está com eles? Dias virão em que lhes será tirado o esposo. Então eles jejuarão” [Mateus 9,14-15].

 

Veja algumas coisas importantes que você deve considerar:

 

1. Ao negar-se a si mesmo, o cristão aprende a ordenar seus sentidos e instintos, fortificando a vontade. Ele então sujeita a carne ao espírito para assim despojar-se de si mesmo e de suas paixões.

2. Ao abster-se de coisas terrenas, o cristão demonstra a estima superior que ele nutre pelos dons celestiais, encorajando assim a humildade, pois ele demonstra ser livre da dependência delas.

3. Em uma sociedade marcada pelo culto ao prazer e aos vícios, que estimula o consumismo, os excessos, a libertinagem, a desordem e a gula, a Igreja convida os santos à disciplina do sacrifício, imitando o seu Mestre na sua mortificação. Esse período de 40 dias de jejum e penitências em preparação para a Páscoa tem por objetivo unir os nossos propósitos ao de Nosso Senhor Jesus, pois está escrito que o servo não é maior que o seu senhor, bastando-lhe imitá-lo. Se o Cristo jejuou e fez penitência em favor das almas que iria salvar, fortificando seu espírito ao mortificar seus sentidos, quem somos nós para nos negarmos a ter privações à sua semelhança e imitar seus passos em seus sofrimentos?

 

A Quaresma nos prepara para a Páscoa, como diz o Catecismo, anteriormente mencionado: “Todos os anos, pelos quarenta dias da Grande Quaresma, a Igreja une-se ao mistério de Jesus no deserto” (cf. CIC 540). É uma forma de meditarmos nos eventos que envolveram a redenção da Humanidade, e nos unirmos ao nosso esposo em seus sofrimentos.

 

POR QUE A QUARESMA TEM 40 DIAS?

 

Os cristãos sempre jejuaram e praticaram penitências no período anterior à Páscoa, o que é amplamente documentado na Patrística (veja aqui), mas a definição de 40 dias surgiu gradualmente, pelo fato de esse número sempre ter tido importância decisiva nos eventos descritos pela Bíblia. O Catholic Answers descreveu alguns momentos decisivos que serviram de inspiração para a definição do número quarenta na Igreja Primitiva:

 

🟣 Moisés ficou no Monte 40 dias diante da face de Deus (Êxodo 24: 18; 34: 28)

🟣 Elias peregrinou em direção à Montanha de Deus por 40 dias (1 Reis 19: 8)

🟣 Jesus ressuscitado passou 40 dias ensinando as coisas do reino aos apóstolos antes de receberem o Espírito Santo em Jerusalém (Atos 1: 3- 5)

🟣 Os espias israelitas passaram 40 dias na terra de Canaã antes de tomar posse dela (Nm 13: 25)

🟣 O profeta Jonas deu a Nínive 40 dias para se arrependerem e fazerem penitência e jejum pelos pecados (Jonas 3: 4)

🟣 Jesus passou 40 dias no deserto orando e jejuando antes de iniciar seu ministério (Mateus 4: 2)

É isso aí. Boa Quaresma!
Cristo em todos, amém.

 

Foto Principal de Kamil Szumotalski na Unsplash

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Sta Joana d’Arc nasceu através de um compromisso e do desejo de publicar obras notáveis de autores nacionais e estrangeiros, tanto de cunho filosófico e teológico, quanto de matéria infantil, fantástica e ficcional. Além de fazer renascer o espírito de tradições e valores antigos à sociedade como um todo, a publicação de obras que revelem a riqueza de nossa história é a melhor maneira de servir a humanidade.

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